sábado, 17 de outubro de 2015

Die For You 2 - Bônus

Dizem que as pessoas já nascem predestinadas a ser o que são ou acabam moldando a sua personalidade através de coisas que aconteceram no passado. Não sei se me encaixo em somente uma, talvez eu seja as duas. Talvez eu tenha sido destinado a ser o que sofria o bullying, o que apanhava dos colegas, o que era... estuprado.

Tudo começou quando eu tinha 12 anos e fui parar num maldito internato. Os meios em que cheguei a esse inferno não foram os melhores, e doí até hoje lembrar. Minha irmã foi separada de mim e mandada para a adoção. Eu não podia ir junto com ela, ninguém iria me adotar de qualquer forma. Espero que ela esteja em uma família boa para ela.

De inicio, eu pensei que estaria seguro.

Sabe quando você vê aqueles muros enormes que dão a impressão de que tudo vai ficar pra trás, que você vai ficar bem, que nada nem ninguém vai te fazer mal? Eu pensei que seria assim, mas não foi.

Eu morava no apartamento 720-S. Meu companheiro de quarto era um dos muitos delinquentes que moravam naquele lugar, Trishian Brahammed. Ele tinha umas manias esquisitas que me davam medo. As maninas variavam de tics nervosos à gritarias e as vezes até suicídio de forma imprevisível. Trishian também sofria abusos. Acho que por isso ele tinha esses ataques. Meu amigo estava lá a mais tempo que eu.

Eu tenho medo de escuro. Sempre tive. E as coisas começaram a piorar quando ele chegou. Era um dia tranquilo de terça-feira. Era mais um dia monótono, onde tínhamos que seguir as mesmas rotinas ridículas que seguíamos todos os dias, nos mesmo horários, nos mesmos malditos momentos, só que nesse dia, houve uma quebra na rotina. Depois do almoço, a senhora Krif pediu a todos que fossemos para o auditório. Eu nunca gostei de lá. Eles sempre arranjavam palestras idiotas, que achavam que iria mudar a nossa forma de pensar, mas todos sabemos que não iria. Ninguém prestava atenção.

Quando terminamos de comer, nossos nomes foram chamados e nos arrumaram em uma fila indiana em ordem alfabética. Depois de nos revistarem, seguimos em direção ao auditório e nos acomodamos nas enormes filas de cadeiras. Ao todo, acho que eramos mais de mil pessoas, isso sem incluir os funcionários que iam desde o pessoal da limpeza, psicólogos, psiquiatras, professores, todos sem saber porque infernos estávamos ali. Eu não queria estar ali. Eu queria está no meu quarto terminando de ler o livro que eu consegui na biblioteca depois de dias na lista de espera.

-- Será que eles vão dizer o novo substituto? - Mickelangelo disse ao meu lado.

Substituto? 

-- Não sei. Espero que seja uma loira peituda e gostosa. As mulheres daqui são muito feias. -- respondeu alguém atras da gente. Reconheci Scott na escuridão. Sua cabeça raspada assim como a de todos os outros garotos.

-- Verdade. Você já viu as pernas da Ariana? A nova psicologa? - Mickelangelo fechou os olhos e gemeu -- Ela parecia um macaco. Me dava vontade de vomitar.

-- Imagino como deve ser a...

-- Boa tarde, senhoras e senhores! -- a voz da senhora Krif abafou o comentário do menino. -- Espero que estejam todos bem, hu?

Uma das coisas que eu odiava na diretora, era a forma como gritava nos microfones. Fazia tudo zumbir e meus ouvidos doíam quando tinha microfonia e ela gritava ainda mais. Educação deveria ser um dos primeiros critérios aqui.

-- Tenho um comunicado para fazer a todos, e espero que sejam compreensíveis. -- o ambiente instantaneamente começou a ficar um pouco barulhento pelos sussurros dos adolescentes presentes no local. Os adultos continuavam com suas caras de paisagem como se não se importasse com o que ela iria dizer -- Por favor, façam silêncio!

Todos se calaram.

-- Neste final de semana, tivemos a perda de uma das nossas melhores funcionárias, a senhora Mindles. Ela sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Estamos em luto por ela. A noticia não foi divulgada até este momento, pois estávamos a procura de um substituto a altura da supervisora de vocês, para que pudêssemos fazer as devidas alterações. -- ela aguardou uns dois segundos, observando a todos nós, e em seguida olhou para o outro lado do palco e chamou alguém -- Senhor Robert Machine, por favor, venha aqui para que todos o conheçam.

Prendi a respiração.

Eu não gostava de mudanças. Não gostava de surpresas. Não gostava de novas pessoas. E eu estava com um péssimo pressentimento. O senhor Machine entrou no palco a passos curtos e lentos, como se não estivesse nervoso por se apresentar a um bando de lunáticos, delinquentes e assassinos. Ele usava uma calça social verde, sapatos pretos sociais e uma blusa meio amarelada de manga, sua gravata esta um pouco torta e seu paleto estava dobrado em seu braço esquerdo. O cabelo oleoso do homem estava penteado para o lado e seu rosto gordo de olhos pequenos estavam vagando por todos os que estavam presentes no auditório.

Um calafrio se alastrou pelo meu corpo. Eu estava com medo. Eu não gostava dele.

Me encolhi na minha poltrona e rezei para que ele não me visse. Infelizmente, minhas preces não foram atendidas, e ele me viu. Seus olhos escuros como carvão se cravaram nos meus e eu quis sair correndo. Meu corpo todo imitia um alerta para que eu saísse, mas eu não consegui. E quando todos se levantaram para bater palmas e eu continuei ali, parado como um menino assustado, ele sorriu de lado e eu quis vomitar.

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De todos os lugares daquele maldito internato, de todos os buracos do mundo, alguém que provavelmente não gostava de mim, fez com que o senhor Machine fosse supervisor do meu andar. Eu odiei aquilo e queria que mudasse, mas nada do que eu dissesse iram fazer eles mudarem de ideia, e meu amigo, Trishian, concordava comigo. Nós evitávamos ao máximo o senhor Machine. Eu não confiava nele, não gostava dele, e não existia nada no mundo que me fizesse passar mais de dois minutos com ele.

18:30

Suspirei.

Estava na hora de voltarmos para os nossos dormitórios nos prepararmos para dormir. Eu realmente odiava esse momento do dia. Eu não conseguia dormir sabendo que o maldito estava do outro lado da minha porta, vagando pelo corredor, e que de cinco em cinco minutos ele parava na minha porta e voltava a caminhar.

Recolhi minhas coisas, e olhei para Trishian que estavam se atrapalhando para colocar seus materiais na mochila. Ele estava tremendo, mais do que o normal, e aquilo não era bom sinal. Ajudei-o a colocar os matérias na mochila e ele me olhou agradecido. Esperamos nossos nomes serem chamados e fomos pra o corredor seguir os outros garotos que estavam no mesmo bloco que o nosso.

Alguns minutos depois fomos deixados na porta de nosso quarto. Após meu amigo entrar, encostei a porta e me joguei na cama. Eu odiava estar aqui, mas ainda faltavam alguns anos para eu ir embora desse inferno. Fui para o banheiro, tirei minha roupa e me preparei para o banho, porém um barulho me fez parar na entrada. Voltei para o quarto correndo e Trishian estava caído no chão. Seu corpo se debatia contra o piso gelado e uma espuma saia de sua boca. Meu corpo começou a tremer e um grito saiu da minha boca antes que eu corresse até meu amigo e tentasse socorre-lo.

Lagrimas escorriam do meu rosto, e eu não estava preparado para perder mais alguém.

-- EU NÃO QUERO PERDER MAIS NINGUÉM! - gritei desesperado. -- TRISHIAN! PARA! POR FAVOR! SOCORRO!

Não percebi quando entraram em meu quarto. O senhor Machine entrou no quarto e gritou algo no corredor e logo em seguida disse algo em seu walktalk e várias pessoas apareceram e levaram meu amigo. Não queria deixar que levassem ele. Eu queria ir com ele. Ele não gostava de ficar sozinho, mas não em deixaram ir com ele. Em vez disso, me deram um sedativo e eu apaguei.

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Acordei em um lugar totalmente desconhecido. Não era meu quarto, e muito menos a enfermaria. Comecei a me levantar e não consegui. Algo me prendia. Olhei para minhas mãos e percebi que cordas as prendiam. Puxei meu pulsos e eles apenas ficavam mais doloridos sem que se soltassem ou ficasse folgados. Tentei puxar meus pés, mas eles também estavam presos. Arregalei meus olhos e meu coração começou a bater mais rápido. Não consegui respirar direito e o panico tomou conta do meu corpo. Abri a boca para gritar, mas uma mão a tampou.

Meu corpo paralisou.

Minha respiração ficou presa em minha garganta, meus pulmões não funcionavam e lagrimas desceram dos meus olhos.

"De novo não.... Por favor..." , rezei em silencio.

-- Como você fica bonitinho acuado. -- uma voz grossa e rouca disse, e eu a reconheci na hora -- Seus lábios são tão macios... Tenho inveja das minhas mãos. Por favor, nao grite. Não quero ter que mandar matarem seu amigo.

Meu coração parou.

-- Estamos de acordo, garotinho? -- continuei parado sem emitir nenhum som -- Responda.

Acenei com a cabeça.

-- Eu apenas quero alguns favores seus. E eles serão prazerosos para nós dois. -- sua outra mão foi acariciando meu abdomem. Meu corpo estava nu, e comecei a tremer de medo. Ele estava descendo cada vez mais. -- Viu que eu falei? Não precisa ter medo, meu garoto, o tio Robert vai cuidar de você muito bem.

Socorro...



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Oooi meninas. o/

Desculpa ter sumido. Eu sei, não tem desculpa, mas eu realmente tava enrolada sobre como eu iria escrever esse capitulo. Eu pensei bastante, porque tipo, eu ia fazer ele realmente muito pesado, mas resolvi dividir ele pra que vocês fiquem curiosas sobre quem é esse garoto misteriosos u.u 

Espero que tenham gostado. 

Vou tentar postar o capitulo 4  essa semana, ou até mesmo amanhã, não vou prometer hoje, mas vou tentar postar ainda essa semana. EU to muito enrolada com a minha rotina e isso ta atransando pra caralho as postagens de capitulos. Me desculpem. 

Ah, quem quiser participar do grupo no whatsapp, ainda ta valendo! 

Comentem.